De volta a realidade

Eu sonhei com você ontem a noite. Acordei hoje com esse sonho. A gente estava abraçado, andando de barco, sem camisa, você estava gravando um vídeo, falando algo sobre mim, sobre nós. Nós nos beijamos e tudo que eu fiz foi me preocupar se meu hálito estava bom, mesmo sendo um sonho. Foi bom começar a semana assim, com você. O último final de semana foi louco.


Para falar a verdade, os últimos dias têm sido loucos. Eu nunca mais te vi e é estranho não ter notícias, apenas a lembrança da sua barba roçando na minha e da marca de nascença no seu ombro esquerdo, que eu costumava encarar enquanto você me abraçava logo ao amanhecer. Mas eu fiz uma promessa a mim mesmo e estou me esforçando ao máximo para que ela seja cumprida.

De vez em quando, em uma conversa com amigos, seu nome vem a minha boca e falar de você era tão comum. Agora é esse tabu. O pensamento que eu tenho que esperar ir embora enquanto me pergunto por quanto tempo mais ele vai voltar. Essa saudade, uma hora ela vai passar. Esse sentimento também, eu não tinha ele antes e um dia deixarei de ter.

Eu te nomeei ilusão, porque com o passar dos anos eu me tornei bom em prever as catástrofes afetivas antes delas se tornarem grandes demais para serem contidas. Você pode achar que isso é errado, mas isso é sobrevivência, isso é instinto. Então eu acordo do sonho antes dele se tornar real demais ao ponto em que eu possa acreditar.

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