Motel barato

Eu deveria te mandar flores por um ano, agradecendo que você tenha terminado isso antes que não restasse em minha pessoa um vestígio de respeito por mim mesmo. Obrigado por deixar de me amar e me fazer perceber que eu também já tinha feito isso, provavelmente há algum tempo, entre um perdão ou outro que te dei, mesmo sem que tenha me pedido.


Agora eu me sinto leve, provavelmente vazio, mas vendo o lado bom, já não carrego preocupações. Tudo que está comigo, um coração que mal escapou, ar nos pulmões, mãos trêmulas, folhas de papel em branco e uma caneta esferográfica. Não se preocupe, não vou escrever sobre nós por muito tempo, apenas até ter esgotado todas as  teorias sobre como tudo esteve errado por tanto tempo e parecia tão certo.

Eu não fiz tudo certo também. E os meus erros são meus para carregar, eles me ensinam difíceis lições sobre mim mesmo e eu sigo tentando notar todas as distorções que tenho de mim. Mas se no final do dia ainda consigo pôr a cabeça sobre o travesseiro, fechar os olhos e sonhar com dias melhores é sinal de que não errei tanto, de que não fiz tanto mal, e isso me deixa grato.

Naquele dia que eu estava em silêncio, observando as palavras sendo emitidas pelo ar, eu sabia ali, mas eu não queria acreditar. Então, muito obrigado por ter acreditado nesse fim antes mesmo que ele chegasse. Obrigado por ter colocado prazo de validade na gente e ter cumprido isso a reta. É engraçado, que fazendo o seu pior, você acabou fazendo o melhor e agora nós podemos deixar nossas promessas esquecidas naquele motel barato.

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