Ressaca

"Estou obcecado", admiti para mim mesmo. Conheço-me e sei como posso ser. Começou despretensiosamente, depois me vi mergulhando cada vez mais nessa história tão envolvente, mas com um final inevitavelmente triste. Minha mãe me alertou sobre isso uma vez, disse que me minha melancolia e minha fragilidade diante da vida a preocupavam. "Sou forte", tentei me defender em vão. Uma mãe conhece seu filho melhor do que ele mesmo.


Consumi doses cavalares desse sentimento, não conseguia mais sentir nada além disso. Não conseguia pensar em mais nada, falar em mais nada. Sozinho, eu sussurrava para mim mesmo, porque já não podia conversar com ninguém sobre aquilo, havia se tornado um tormento. O que pensariam? Que eu estava ficando louco. E estava, há algum tempo já, mas só agora o efeito era completamente visível.

Tenho alguma experiência com essa bagunça emocional. Não é minha primeira vez. Eu sei o que preciso fazer, apenas adiei o momento em entorpecimento até que eu chegasse ao meu limite. Eu tentei chorar, mas as lágrimas não saíram. Então eu dormi, me desliguei, porque isso me daria tempo e tempo era exatamente aquilo que eu mais precisava, porque eu sabia que uma hora iria passar.

No outro dia acordei. "Estou realmente perdido", pensei. Porque visitei tudo aquilo nos meus sonhos, porque foi meu primeiro pensamento ao amanhecer, antes de abrir os olhos. Mas eu estava obstinado: nem mais uma gota. Meu controle sobre meus sentimentos e pensamentos pode ir somente até certo ponto, mas eu ainda controlo minhas atitudes e estou determinado a fazer essa ressaca passar.

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