Passagem

Outro dia você me perguntou o que eu faria se eu soubesse nossa história. Se eu agiria diferente? Se eu cogitaria ter aceitado sair com você. Então, talvez eu já soubesse de fato nossa história, isso poderia explicar por que eu hesitei tanto em aceitar. Talvez a gente saiba de coisas que acha que não sabe. Talvez isso nos guie por nossas escolhas. Se eu não tivesse aceitado o convite que eu tanto hesitava em determinado ponto, não seria a pessoa que sou hoje.


Com as experiências que vivi, com as coisas que aprendi. Então você me perguntou se eu te considero um erro. Eu disse que não. Porque recentemente eu comecei a acreditar que não cometemos erros, que de longe tudo é acerto. É assim que a nossa história vai se escrevendo, se ela já não é escrita. Isso é estranho vindo de mim, quem sempre imaginou milhares de realidades divergentes para fugir das iminentes.

Eu vivo a minha vida e tantas outras, de tantas formas, além das explicações possíveis. Tantos diálogos inexistentes que já tivemos e tudo foi dito, somente aquilo que ainda não pode ser explicado, pronunciado, ilustrado, ficou. Talvez um dia encontraremos uma forma de comunicar, muito provavelmente não um para o outro. Quando esse tempo chegar já estaremos fora do alcance um do outro.

Mas ainda assim diremos essas coisas não ditas, para outras pessoas, paralelamente. Talvez elas não entendam, talvez entendam melhor do que nós. Porque será outro tempo. Nós seremos outros. E os fragmentos da nossa história, deixados para trás, quando vistos de longe, farão parte de um caminho, pois nosso destino sempre foi passagem.

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