Adeus, velho amigo

Ainda lembro daqueles dias em que éramos melhores amigos. Hoje parece uma outra vida, em que eu era outra pessoa, mas quando penso sobre isso é como se você ainda fosse o mesmo. Talvez porque eu não te conheço, mas ainda lembro do seu sorriso e me pergunto se ele continua o mesmo ou se é mais uma coisa que ficou para trás.
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Nós fomos de nos falar diariamente, de nos vermos todas as semanas e de saber exatamente tudo da vida um do outro a dois conhecidos que se cumprimentam com educação cada vez que o acaso decide cruzar nossos caminhos. Agora, nós nem mesmo fingimos que um dia marcaremos algo para colocar os assuntos em dia. Nosso cumprimento é polido, educado, como dois estranhos que acabaram de se conhecer.

Eu me lembro de quando tudo começou a dar errado e estou quase certo de que você não. Você sempre agiu como se fosse uma escolha apenas minha. Na verdade, durante toda nossa amizade sempre pareceu que tudo dependia de mim e eventualmente isso me cansou, foi quando eu larguei de mão. Então não aja como se eu fosse o único responsável por hoje sermos dois desconhecidos.

Eu não guardo mágoas, nem arrependimentos. Tudo que eu fiz foi seguir o fluxo, estou certo de que você também. Ao longo do tempo, minhas memórias se acumularam sobre as de quando costumávamos ser amigos. E quando eu vejo seu rosto, hoje uma vaga lembrança de algo que me era tão familiar, não consigo evitar pensar: "Adeus, velho amigo".


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