Irresistível desconhecido

Quando o outono chegou. Perceptível apenas por um lembrete de rede social. Eu decidi que era hora de mudar. Sim, novamente. Eu estava ensaiando a mudança há algumas semanas, mas uma melancolia renitente tomou conta de mim. Minha velha amiga. Agarrei-me a ela porque há tempos não a via, fiquei muito tempo na companhia de uma nova amiga, a apatia.
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Havia chovido na noite anterior. Mas o sol saiu forte e eu acordei cedo, impaciente. Sempre que eu tomo decisões de vida tenho que executá-las em um dia. O que obviamente é impossível e faz com que a realização disso seja uma queda já antecipada. A essa altura, era de se esperar que eu já soubesse como cair, que eu caísse sobre os meus pés, mas não, continuava sendo de cara, toda maldita vez, talvez eu goste da dor.

Mas novamente, é preciso tentar. “O que há de tão errado comigo?”, eu também me pergunto. E eu realmente não sei. “Certo” e “errado” podem ser tão distorcidos. “E o que está faltando?”, alguém me perguntou. Houve temos que a resposta seria nada, e talvez ela também não fosse completamente honesta, afinal quando não nos falta nada? No entanto agora parecia que faltava tudo, vidas inteiras fenecendo porque foram construídas por árduas expectativas.

“Mas você tem que viver de alguma forma”. “Você tem que continuar”. “Resista”. Frases que eu repito para mim mesmo, como um mantra. Percebendo que perdendo, descascando algumas camadas, talvez eu possa crescer outras. Tentar novamente o novo. Eu sempre fui muito curioso sobre como as coisas podem se tornar. O irresistível desconhecido me invade e suscita outras vidas.

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