O último romântico morreu

Sinto muito em dizer, mas o último romântico morreu. E agora, enquanto o enterram, o ar cheira a pretensão. Talvez nunca tenha sido real, mas eu certamente sentirei falta da tentativa. Nunca me esquecerei de quando ele me disse como o amor era sentido. Nem todos irão sentir falta, mas alguns bons e poucos vão.


O esquecimento é tão fácil, quando você não liga. Quando você não deu tudo que você tinha. E tentar entender essa perda é como tentar conhecer algo que você nunca viu, nunca sentiu, nunca sequer ouviu falar. A música toca diferente esses dias, desde que o último romântico morreu.

Eu lembro dele, aos 15 anos, aos 23 anos, confiante. Mas nos últimos anos já cedendo, desistindo, definhando. Ele costumava ser uma inspiração, mas se tornou apenas um personagem, coadjuvante, em uma história cada vez mais prática, cheia de clichês, que serve ao seu propósito. Quanto menos envolvimento, menos mágoas.

Não tive a chance de me despedir. Foi tão de repente, quando ele não estava mais aqui, para me dar esperanças. Eu ouço músicas, mas não escuto letras, assisto filmes, mas não vejo sentimentos e mesmo nos livros já não encontro refúgio, porque o último romântico morreu.

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