Príncipes desencantados

Estava lendo um texto sobre a vida na Idade Média, dentre muitas descobertas desapontantes sobre um passado tão romantizado pelo cinema, literatura e arte, não pude deixar de notar as referências aos famosos príncipes, os quais, até hoje, temos conhecimento como pessoas lindas, charmosas, heroicas e encantadoras. A imagem de homens românticos, que enfrentam o perigo e aparecem nas varandas com flores e palavras de amor, que perpetua até hoje.
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De certa forma, isso pode nos levar a acreditar que os homens românticos entraram em extinção ou algo do tipo. Mas o texto, de alguma forma (já que essa não é nem de longe sua temática central), me levou a pensar que talvez o homem romântico seja uma invenção. E que essa invenção seja a causa de tanta frustração entre pessoas que se relacionam com homens. Imagine crescer com esse conceito: que o homem “ideal” é aquele ser bonito, educado, bem sucedido, fiel, entre outros atributos.

Isso em um mundo onde todos têm defeitos e cometem erros, principalmente homens, tão privilegiados e amparados pela cultura machista e patriarcal que rege o mundo. Tudo isso faz com que homens, ou pelo menos a maioria (99,9%), aja de forma inconsequente, levados a acreditar que atitudes de mau-caratismo e desumanas fazem parte da natureza desse ser que desde pequeno é levado a acreditar que não deve ter fraquezas.

Voltando ao texto, em determinado momento o autor chega a dizer: “O príncipe dos contos era um asno tosco e brutal”. Qual diferença existe no meio de tantos que tentamos a todo custo romantizar, ignorando seus defeitos e/ou desculpando falhas condenáveis? Meu ponto é: príncipes encantados não existem. Nutrir qualquer vestígio dessa ideia no homem por quem se está apaixonado(a) pode ser a causa de tantas decepções amorosas.

No final do dia somos todos desencantados, homens e mulheres, quando comparados a personagens de um conto de fadas. É verdade que podemos ser encantadores na vida real e para isso também temos que enfrentar o perigo. Nossos próprios monstros, que vivem dentro de nós, e distribuir flores e amor uns aos outros porque cada um de nós já teve (e ainda tem) suas próprias batalhas para lutar. 

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