Céu estrelado

Lembro-me das noites de domingo. Quando nos beijávamos e dizíamos "até mais". Quando você ia eu sempre olhava para o céu, contemplando as estrelas, eu sabia quanto tempo demoraria a te ver de novo, só não sabia o quanto iria durar até poder ter seus braços envoltos no meu pescoço novamente.
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Foram tantas noites. Esse ritual se tornou tão constante que depois de um tempo, ao fechar os olhos eu ainda podia sentir seu corpo dentro do meu abraço, seus lábios macios tocando os meus. Eu ainda conseguia sentir seu cheiro, mesmo com você tão distante. Mesmo nos últimos domingos, enquanto você ainda dizia "até logo".

Eu olhava para cima e me perguntava "o que mudou?", "o que está diferente?". Nunca tive uma resposta. E desisti de ter uma há muito tempo. Agora estamos tão distantes, milhares de anos-luz, o céu que me norteia já não é mais o mesmo que te acompanha ao atravessar a cidade. E o tempo é tão subjetivo.

Quando eu tento, não consigo lembrar a última vez que nos beijamos sob o céu estrelado e senti que fosse durar para sempre. A grande ironia é que esse tempo todo o meu norte era contemplar a morte, tão brilhante, milhões de anos atrás. Deveria ter sido um sinal, mas quando se está apaixonado esse é o tipo de coisa que se ignora, porque tudo parece tão bonito, até uma despedida com apenas o passado como testemunha.

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