Desilusão de outubro

Eles estavam juntos há seis anos quando entrei na vida deles, por meio de um jantar, apresentado por um amigo em comum. Nos demos bem de cara, os três. Um completava a frase do outro. Eu não sabia até então que eles estavam procurando alguém como eu e pensava que seria só mais um daqueles casais que você adoraria fazer parte. Imaginar o que minha mãe pensaria de mim, se soubesse de tudo, passou pela minha cabeça.
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E a ansiedade já não me deixa mais dormir. Lembrando de como tudo começou, dos cinemas, dos jantares, das longas conversas sobre livros e música, até aquela madruga em que tínhamos tomado muito vinho e de alguma forma acabamos beijando uns aos outros, tão natural que o único questionamento que nos veio no momento foi, por que não havíamos feito isso antes?

Roupas caíram, enquanto rolávamos no tapete felpudo que eu havia ajudado a escolher semanas antes. Não nos sentimos culpados depois. Nossa rotina permaneceu quase a mesma, só que agora eu frequentava mais o quarto do que o restante da casa. Comecei a acordar mais na queen size deles do que na minha solteirão no meu sombrio apartamento de um quarto. As coisas ficaram sérias a ponto de o meu cacto morrer sem água, sozinho, na pia da minha cozinha.

Não sei quando tudo começou a dar errado, mas de repente me vi mais próximo do Joaquim. Surpreendentemente, ele também mudou comigo. Quando Emílio percebeu ficamos péssimos. Achei melhor voltar para casa, eles tentaram voltar ao que eram. E agora não nos falamos, exceto quando Joaquim me mandou mensagem para dizer que estava saindo de casa, que eu não fui capaz de responder, ainda sem acreditar em tudo que passou.
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