Meu último texto

Nós já dissemos tanto um ao outro. Ou quem sabe essas conversas tenham sido fruto da minha imaginação. Talvez eu seja o único falando alguma coisa aqui, enquanto você me vê, da cabeça aos pés e até dentro de mim. Coisas que eu não achei importantes o suficiente para esconder e agora, que elas estão escancaradas ao entretenimento de qualquer um, me parecem tão caras, como uma parte crucial de mim, que já não é a mesma coisa.
Foto por Dmitry Ratushny em Unsplash

Não é a primeira vez que me despeço. A gente tem ido e voltado há algum tempo e nunca pensei sobre as consequências disso até agora. Não vou mais escolher palavras para você. Coloca-las em sequência, formar sentenças, contar uma história quando não existe mais uma. Você pensa que posso te reinventar como um amável e honesto mancebo de um romance clássico, mas, querido, isso não soa como algo que eu faria apenas por um capricho.

Entenda que algumas coisas não são sobre você. Fiquei em quarentena por tanto tempo que talvez eu nem saiba mais como ser feliz e você não deve me fazer refém disso. Apenas espere e o tempo dirá se é uma boa ideia ficar por perto. Você e seus gestos. Ainda estou avaliando se são dignos de confiança. Se você faz isso por quem eu sou e como eu sou. Ainda não vou te dizer o quanto eu gosto, não porque você precisa, não porque você quer uma prova, uma razão, hoje, agora, para ficar.

Espero que você permaneça sem isso, só porque você quer. Estou cansado de ter que provar algo. Toda vez que me exponho parece um campo de batalha e sei que é assim que deve ser, mas ainda estou cansado do último combate. E eu acho que não tem que ser assim. Então sim, estou sem palavras. Elas perderam o sentido. Preciso de um tempo, preciso de distância. Você pode pensar que não, mas me abri, mostrei o que sinto e agora, não tenho mais nada a dizer, por isso esse é meu último texto para você.

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