Se lembra de novembro?

Estou montando nossa história na minha cabeça, porque não quero me entregar de cara. Talvez eu diga que a gente se conheceu fazendo dança, embora eu tenha dois pés direitos (sou canhoto). E eu diga que me apaixonei pelo jeito como você se move, o que não seria mentira. Amo o jeito como você gesticula enquanto fala, tentando enfatizar o que está dizendo.
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E quem sabe, quando eu contar essa história, não diga que nos dois somos covardes, que naquele dia que nos assustamos com um filme de terror e nos abraçamos acabamos nos beijando pela primeira vez, ou que em uma das vezes que conversamos até o dia amanhecer nossos lábios se tocaram antes do sol aparecer e você adormeceu com a cabeça no meu peito.

Posso fingir que não torci para que você ficasse com aquele meu amigo, porque ele me disse ser apaixonado por você, e porque seria mais fácil justificar minha falta de atitude. A verdade é que posso inventar qualquer história aqui e nada disso muda nossa realidade. Duas pessoas com pavor das consequências, com receio de tentar. Pelo menos é isso que suponho.

Talvez eu esteja louco. Imaginando coisas. Mas vou fingir que foi em novembro de 2016, quando nos conhecemos, que nós não nos tornamos amigos com medo de sermos qualquer outra coisa, que fomos em frente e nos beijamos debaixo daquelas palmeiras e que depois você me disse que me amava, você se lembra? Porque preciso de mais que o seu abraço, porque eu não deveria me apaixonar por você, se você não quisesse tentar, não me parece justo.
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